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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

CARTA ABERTA A PRESIDENTE DILMA ROUSSEF


Por uma política de juventude articulada com o desenvolvimento do Brasil
Nós entidades, organizações do movimento juvenil brasileiro e ativistas das políticas públicas de juventude, reunidos em mais uma edição do Diálogo Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis  avaliamos que por muito tempo o Estado Brasileiro tratou a temática juvenil de forma meramente reativa. Nos últimos anos, no entanto, o tema ganhou maior visibilidade devido à organização e esforço de movimentos juvenis, forças políticas e sociais que produziram relevantes iniciativas.
Acreditamos que o grande marco que representa o avanço nesta trajetória deu-se no Governo Lula com a institucionalização das PPJ no Brasil através da criação da Secretaria, do Conselho Nacional de Juventude e do ProJovem a partir de 2005. Tais iniciativas deixaram um importante legado e criaram condições concretas para que esta pauta avance ainda mais no Governo da Presidenta Dilma Rousseff.
A nossa juventude vem sendo contemplada também com mais Escolas Técnicas Federais, ampliação do acesso ao ensino superior com PROUNI e REUNI, mais cultura e esporte com os Pontos de Cultura e as Praças da Juventude, dentre outros diversos programas e projetos, que apesar de não serem exclusivos de juventude, beneficiam diretamente milhões de jovens no Brasil. Temos que valorizar o avanço  e o fortalecimento que o Projovem integrado trouxe a política de juventude. Esse programa colaborou e ajudou a tirar as PPJs da invisibilidade, bem como garantir direitos para parcela da juventude brasileira mais excluídas.
Além disso, o Governo Lula optou por realizar um amplo processo participativo por meio da 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude que envolveu mais de 400 mil pessoas, num processo complexo de mobilização, onde 22 propostas foram priorizadas.
Compreendemos, entretanto, que a soma dos esforços realizados até agora, fazem parte de um ciclo inicial que cumpriu um importante papel até aqui, mas, que neste momento, não é suficiente para que as políticas de juventude se consolidem e sejam sustentáveis numa verdadeira política de Estado.
É imprescindível a forte presença e engajamento das juventudes partidárias, entidades e movimentos juvenis, intelectualidade e organizações da sociedade comprometidas com esta pauta, na caminhada pela emancipação da juventude e consolidação das políticas públicas de juventude.
Consideramos como fundamentais para que a Política de Juventude Brasileira possa avançar já nesse início de Governo Dilma os seguintes elementos:
· Estruturar Sistema Nacional de Juventude com os três entes federados (União, Estados e Municípios) articulados, buscando a equidade, tendo fontes de financiamento claras e específicas para as políticas de juventude com mecanismos diversos de controle e participação social da juventude nesse sistema;
· Trabalhar com a perspectiva de conferir “status ministerial” à Secretaria Nacional de Juventude, a exemplo da SEPPIR e SPM; Aprofundar a democracia participativa através do fortalecimento do Conjuve e da rede de conselhos de juventude e da realização da 2ª Conferencia Nacional de Juventude em 2011;
· Estruturar uma Política Nacional de Juventude Universal fortalecendo uma nova estratégia interministerial articulando e integrando os atuais e novos programas específicos de juventude;
Se faz necessário fortalecer a perspectiva geracional juvenil nas políticas públicas setoriais assegurando a transversalidade do tema; priorizar políticas públicas voltadas para a integração educação e trabalho, focando na reestruturação do Ensino Médio aproximando-o da realidade juvenil; reduzir a letalidade juvenil por homicídios ou por acidentes de trânsito; preparação para os cenários de Olimpíadas, Copa do Mundo, Pré-sal; e estruturação do serviço de banda larga. Sempre aprofundando a linha de investir e valorizar a diversidade juvenil combatendo o racismo, machismo e homofobia e impulsionar as políticas de inclusão social referenciadas no território.
Acreditamos na viabilidade dessas ideias e nos colocamos à disposição para juntos construirmos o próximo capítulo da história da política de juventude brasileira.
Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2011

4º Diálogo Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis

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sábado, 20 de março de 2010

Depressão e Relacionamento


A Depressão geralmente é uma doença devastadora, apesar de muita gente ainda não acreditar que ela exista. Não vamos falar aqui do quadro clínico e dos sintomas da Depressão, mas sim de um aspecto da Depressão que muitas pessoas não sabem e não se dão conta; trata-se do grau em que os transtornos depressivos afetam os relacionamentos. Segundo Xavier Amador, um casamento em que um dos parceiros está com depressão, tem nove vezes mais propensão de acabar, do que um onde não exista a depressão. Adriana Tucci mostra também dados internacionais onde os Transtornos Afetivos, além de terem uma prevalência de, aproximadamente, 11,3% da população, são uma das doenças que mais geram perdas sociais e nos relacionamentos familiares (veja mais em Depressões - Sintomas, na seção Depressão).
Assim sendo, antes de se tomar decisões precipitadas nas desarmonias de relacionamento recomenda-se que, primeiro, seja verificada a possibilidade de uma das pessoas do relacionamento (quando não as duas) ser portadora de Depressão, em qualquer de suas formas (Distimia, Transtorno Afetivo Bipolar, Depressão Recorrente).
A Depressão, seja leve, moderada ou grave, será sempre incapacitante em algum grau, principalmente se considerarmos a duração dos sintomas. Ao longo do tempo os sintomas depressivos podem provocar desdobramentos complicados e desgastantes para a família e para a pessoa.
Segundo trabalhos recentes as relações íntimas entre pessoas com depressão são mais tensas, estressantes e cheias de conflitos do que entre pessoas não depressivas. Xavier diz que a depressão e os problemas de relacionamento e sexuais causados por ela seja a razão mais comum dos casais que procuram uma terapia. Metade das mulheres depressivas reclama de sérios problemas dentro do casamento e, provavelmente, um número parecido dos homens pode também reclamar da qualidade do relacionamento com mulheres depressivas.
Quando aparece um quadro depressivo na família, geralmente esta se desestrutura bastante. A tendência inicial é querer ajudar o indivíduo a reagir; ora acreditando que essa reação depende da vontade da pessoa deprimida, ora propondo medidas bem intencionadas e completamente ineficazes. Com freqüência dentro das famílias ou mesmo entre um casal existe uma série de crenças populares, que depreciam a pessoa com depressão, tais como a falta de vontade, uma fraqueza psíquica ou coisas assim.
Como ninguém consegue produzir melhoras, aflora um sentimento de frustração e impotência muito desgastante, principalmente quando se junta à mistura das tais crenças populares. Além disso, deve-se considerar o impacto social e econômico que a doença pode representar para toda a família.
É assim que os parentes de pessoas deprimidas, bem como os(as) companheiros(as) também sofrem de preocupação excessiva, raiva, exaustão e até mesmo raiva com a persistência daquele estado de humor problemático.

PAIS E FILHOS


Às vezes é melhor a filha ficar em casa à noite, porque é melhor para o sono, bem-estar e tranqüilidade dos pais.
| Família |



Talvez o problema mais grave dos pais seja, exatamente, fazer aquilo que acham melhor para seus filhos. Se ao menos os pais fizesse apenas o que é bom para os filhos, talvez o prejuízo não fosse tão grave quanto buscarem fazer o melhor para os eles.

O problema é que melhor na opinião dos pais, não significa necessariamente mais correto, adequado e sensato. A dúvida que surge nessa postura, é sobre o conceito do que seria, exatamente, esse melhor, e em que sentido; melhor para o bem estar do pai, do filho, da família, melhor emocionalmente, financeiramente, culturalmente, melhor para a saúde... e assim por diante.

Muitas vezes é melhor que a filha fique em casa à noite, porque é melhor para o sono, bem-estar e tranqüilidade dos pais. Pelas mesmas razões, é melhor que os filhos não bebam, não dirijam, não namorem quem eles querem, etc, etc.

O velho chavão “faço o que é melhor para vocês”, que brota das palavras de todo pai ou mãe que se preza, deveria ser corretamente interpretado como sendo; “faço para vocês o que é melhor para mim”.

O simples fato de presentear os filhos pode dar a falsa idéia de que isso é bom para eles, quando, na realidade, poderia estar satisfazendo a necessidade de bem-estar dos pais, ao se saberem “bonzinhos”, atenciosos, carinhosos, responsáveis.Vejamos a questão do beijo, por exemplo; muitas vezes o beijo apraz muito mais quem está beijando (pais) do que quem está sendo beijado (filhos), portanto, talvez quem beija com a intenção de doar afeição e carinho esteja, de fato, se apossando de afeição e carinho para si.

Um dos exemplos de que o melhor para os pais nem sempre se compatibiliza com o melhor para os filhos, é a tendência constante dos pais proibir nos filhos uma série de atitudes que eles mesmos tomavam em outras épocas, quando tinham a idade dos filhos.

Como regra geral, os pais tendem a aplaudir o comportamento “correto” dos filhos. De fato, muitas vezes estão se aplaudindo por se sentirem importantes como pais de uma criança inteligente, bem dotada, que auxiliam nas tarefas domésticas ou nos negócios. Sentem que sua função de pais, geneticamente perfeitos, educadores eficazes, moralmente atuantes foi satisfatória a ponto de merecer aplausos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

aluno

Sabemos que cada aluno é diferente de todos os outros. Nenhum aprende como os colegas. Mas, também sabemos que as turmas são numerosas e que a pressão para cumprir extensos programas num tempo limitado servido em pequenas fatias de cinquenta minutos, mal chega para o professor conhecer quem tem na frente. A escola habituou-se a debitar matéria e a avaliar, sem tempo para reformular planificações, esperar pelos de ritmo mais lento, parar para perceber o que acontece à enorme percentagem de alunos reprovados, nem para cativar a legião dos que abandonam o ensino, sem ferramentas para discutir a vida. Pontualmente, aparece um ou outro projecto com pernas para andar e que prova como a escola pode funcionar bem e ser atractiva quando se preocupa com as pessoas. Infelizmente, as instituições escolares supervisionadas e dirigidas por uma equipa de sábios autistas sedeados no Ministério da Educação, transformaram-se em gigantescas e implacáveis máquinas trituradoras de talentos. É o sistema, esse monstro acéfalo de mil tentáculos que tarda em reformar-se e reformular-se de modo a trabalhar para os jovens. Infelizmente, o sistema acomodou-se e tem colados milhares de parasitas que temem toda e qualquer inovação, sempre mais preocupados com o “tacho” do que em pôr as escolas a funcionar. Todos percebemos já que o insucesso e o abandono escolares são problemas complexos, com mil e um rostos. Mas, o sinal de que é possível sempre conseguir o sucesso é precisamente o trabalho desenvolvido por algumas equipas capazes de inovar no sentido de ir ao encontro dos interesses dos alunos. Trata-se de perceber como os alunos funcionam e como o ensino pode tornar-se agradável sem deixar de ser exigente. É um sinal de esperança que nos diz que é possível fugir à demolidora actuação do sistema e humanizar a máquina burocrática da 5 de Outubro. A escola não pode cruzar os braços e assobiar para o lado. A escola tem a obrigação de se preocupar em descobrir a razão que faz com que um aluno aprenda, enquanto o parceiro do lado acaba desmotivado. Às vezes, acontece até que os desmotivados de hoje tinham sido bons alunos no passado, com outro professor. Mas, se porventura, a escola não tem capacidade para resolver estas questões, os pais não podem simplesmente continuar a queixar-se dos professores e a denegrir a sua imagem junto dos filhos. Têm por obrigação, como primeiros interessados, de ser parceiros no estudo da situação, intervir com propostas de colaboração positiva, disponibilizar-se para ajudar nesta e noutras questões que afligem as instituições de ensino. Os pais têm o dever de se transformar em agentes activos na busca de soluções e largar o comodismo de responsabilizar quem, por vezes, é o menos culpado do insucesso dos filhos. Há hoje equipas multidisciplinares envolvendo psiquiatras, psicólogos e professores experientes capazes de ajudar os jovens a recuperar de fracassos que nos habituámos a aceitar como normais, como se fosse normal haver turmas com mais de 50% de insucesso. Essas equipas podem ensinar a aprender e aprender a aprender é a chave do futuro, quer para os alunos, quer para os professores. Está hoje a popularizar-se a recuperação de alunos e de professores por meio de um método usado na década de 70, desenvolvido por Antoine de la Garanderie – a gestão mental -, inspirado nas cinco operações mentais que estão na base da aprendizagem: a atenção, a memorização, a compreensão, a reflexão e a imaginação. Testes muito simples podem ajudar qualquer professor a perceber as estratégias que um jovem usa para aprender. Se descobrirmos como é que qualquer um aprende aquilo em que tem sucesso na sua vida extra-escolar, poderemos descobrir o caminho do prazer de aprender. Por vezes, um aluno tem dificuldade em reter a mensagem e utilizá-la em novas situações, simplesmente porque não conseguiu memorizá-la, nem entendê-la, por falha de vocabulário ou por uma estratégia errada. É fundamental que os alunos conheçam o seu funcionamento mental. Nunca um auditivo funcionará como um visual, para citar apenas os dois casos mais evidentes. A cada um, sua estratégia.